Entre as pedaladas de Dilma e de FHC: um aceno de classes

Não há nenhuma dúvida sobre o processo político-jurídico que se avizinha com o impeachment de Dilma Rousseff para a votação marcada para o próximo dia 17 de abril, domingo próximo. Trata-se de um processo político-jurídico com forte criminalização da política e uma deixa de precedentes perigosos para as instituições democráticas do povo brasileiro, instituições essas que são conquistas seculares de nossa gente.
Não há crime de responsabilidade. Não há ato de corrupção praticado pela pessoa da presidenta. Mas há pedalada fiscal.
As pedaladas, oficialmente, são manobras contábeis do executivo. Servem para o bem e para o mal. Dão a sensação de superávit para o bolso do tesouro e garantem o pagamento, sem atraso, dos programas sociais tão caros e necessários para o dia a dia do povo brasileiro.
As pedaladas não são crime. Já foram cometidas aqui e acolá e são prática comum entre governadores. Só Alckmin já praticou mais de duas dezenas de manobras como essa.
Se FHC já praticou pedalada e não foi vítima de processo de impeachment aceito não é porque a legislação é diferente. Basta saber que ele foi quem pautou e conseguiu aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal tão usada pelos golpistas no processo contra Dilma e seu governo. Muito pelo contrário, as pedaladas de FHC não foram sequer observadas porque, ao passar por resquícios de crises internacionais, FHC fazia pedaladas para garantir superávit ao passo que usava o dinheiro público dos bancos para subvencionar o capital financeiro, os bancos privados e os consórcios que compraram, a troco de banana, as estatais. As pedaladas de FHC não foram usadas em processo porque o lado dele sempre foi o lado das elites colonizadas antinacionais e do capital financeiro internacional e sua sanha nunca passou do entreguismo barato.
As pedaladas de Dilma não. As manobras serviram para garantir em dia o pagamento do Bolsa Família, alimentando milhões de pessoas que antes, na década perdida em que o PSDB governo o país, não sabiam o que iam comer na refeição seguinte. As pedaladas serviram, não como operação de crédito, mas como relação profícua da União com os bancos a ela vinculados no sentido de garantias para o repasse de financiamento e pagamento dos programas sociais.
Se é bem verdade que Dilma usava a manobra para garantir a imagem de superávit, o investimento não ia para a mão dos incentivos fiscais injustificáveis como na época dos tucanos, mas para o bolso dos mais pobres.
Se é bem verdade que há um julgamento sobre Dilma, esse julgamento é um golpe daqueles que estão a serviço desse capital financeiro e não estão nem aí para o povo mais pobre do Brasil.


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